terça-feira, 18 de maio de 2010

O dia 2 - Vila Nova de Milfontes


Depois de um lauto repasto (um belo e grande pequeno almoço) tomado no Reguenguinho com o som dos grilos em fundo, era hora de rumar até Vila Nova de Milfontes.
Ficava para trás o delicioso pão alentejano, a fruta, os doces caseiros, o leite, os queijos e por aí fora (só de me lembrar estou a salivar...) e saíamos da herdade em direcção a Vila Nova de Milfontes.
Se Porto Covo tem o charme de terras perdidas no tempo, Vila Nova de Milfontes... tentou avançar depressa demais e perdeu-se no turismo. Não se encontra um real traçado de ruas, o que pode haver de marcos históricos perdeu-se, sobrando apenas um ou dois imóveis de interesse, e claro, uma praia a perder de vista, sobranceira ao Rio Mira.

Depois de alguma caminhada por Milfontes, de um café tomado ao lado de um "Centro Comercial" (ah, nostalgia de aldeias...) e de uma corridinha ao supermercado, eis-nos de volta ao centro mais antigo. Aqui, fomos ao encontro do restaurante "A Tasca do Celso" que nos tinha sido recomendado pelo pessoal no Reguenguinho.
O restaurante tem a fachada típica de uma casa de aldeia, mas o seu interior consegue ser ao mesmo tempo requintado e informal. Aqui foi onde comemos uma "massinha de robalo" recomendada, que estava realmente excelente. Não vou deixar aqui uma foto do tacho, para que os que quiserem ir descobrir o possam fazer sem problemas... claro que para mim a refeição terminou com uma Sericaia de lamber os beiços, juntamente com a ameixa de Elvas caramelizada... Depois do almoço, mais um pequeno passeio a pé até ao carro e daí, rumo ao Cercal e de regresso à Herdade, para um passeio de Segway até à Barragem de Campilhas. Para uma primeira vez em cima do dito aparelho, até nem correu mal e para experiência foi engraçado... especialmente o facto de ser todo o terreno e isso permitir o passeio tanto pelos caminhos da herdade como por estrada. Depois, rumo à piscina e de lá a umas excelentes omeletes para o jantar, seguido do tradicional repouso alentejano... e rumo ao terceiro dia deste relato...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O dia 1 - Porto Covo

"Roendo uma laranja na falésia... olhando mundo azul à minha frente... ouvindo um rouxinol na redondeza..." era assim que começava Rui Veloso a cantar sobre Porto Covo.


Estando aqui a escassos quilómetros do Cercal, Porto Covo é um pulinho daqui, e foi precisamente por onde resolvemos começar os nossos passeios. Uma simples Vila Piscatória, mudada profundamente pelo turismo (felizmente não degradada), e onde se sente um ambiente no mínimo ... antigo. Infelizmente, por aqui a tolerância de ponto pela visita do papa também se fez marcada e como tal estava quase tudo fechado. Ficou a beleza da visita, e das vistas pelas praias desde Sines até Porto Covo. E claro, ficou um gatafunho, como não podia deixar de ser...
Mas como passeio, é uma vilazinha que merece bem a pena ser visitada. As praias da Costa Vicentina são lindíssimas, e apesar de um céu por vezes plúmbeo, o sol vai espreitando e convida ao passeio de pés na areia, e a uma paragem pelas esplanadas...ainda que onde parámos se estivesse com uma grande concentração a ver a missa do Terreiro do Paço, e nós resolvêssemos estar a comentar o evento em rigoroso exclusivo, e as poucas pessoas no café, especialmente atrás do balcão estavam quase prontas para nos fulminar, caso o pudessem fazer... o que é sempre especialmente divertido.

Claro que há muito para fazer, e ao longo destes dias foram já muitos os passeios, muitos gostos e muitos gatafunhos... mas desses ainda vou continuar a falar ao longo dos próximos dias...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Por terras alentejanas...


...há de tudo. Sol, praia, piscina, pequenos paraísos. Passeios de segway. E muitos gatafunhos para publicar.... por isso mesmo, é estarem com atenção que nos próximos dias eles já vão andar por aqui para vossa diversão... porque acreditem, que iam gostar de estar por aqui...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Como mudámos tanto, em tão pouco tempo...


Já todos nós ouvimos falar em conflitos de gerações e de uma maneira ou de outra, como filhos primeiro, como pais ou irmãos mais velhos depois, já nos deparámos com choques entre as sucessivas gerações.

Por um lado, as necessidades da geração mais nova de se afirmar. Por outro, as gerações mais velhas a quererem incutir (e por vezes impôr) valores morais, sociais, etc...

Algo contudo se tem vindo a passar nos últimos anos e esta geração mais nova que agora chegou aos 20 anos, está de uma maneira ou de outra um bocadinho... desorientada. Senão, veja-se a sequência: nos anos 60 tivemos os hippies. Nos 70, o disco. Nos 80, o pop. Nos 90, a geração "rasca"... e a partir do ano 2000 a Geração Morangos com Açúcar. E é precisamente sobre esta nova geração que hoje vou escrever. Que são os mais novinhos e que agora chegam à idade em que precisam ainda de levar uns puxões de orelhas, e mesmo assim, não vão lá.

Veja-se um exemplo. Na moda, em vez de quererem inovar... limitam-se a imitar (o vulgo, corriqueiro, estilo Cristiano Ronaldo para os rapazes). Na música, imperam os re-mixes de temas com os quais eu nasci, nos anos 70. Na escola, quem é o maior, é precisamente quem sabe menos. E por aí fora. E de repente, nesta geração, estão em idade de se casarem e constituirem família. E depois? Na Geração Moranga, os produtos como que caem já pré fabricados do céu fantástico do telemarketing, ou melhor ainda directamente de um hipermercado online. Ou ainda melhor e aí sim, a cereja no topo do bolo, vem directamente das cadeias de fast food.

Tenho um grande amigo, por quem nutro uma grande amizade que está precisamente nesta fase da vida, e a quem dedico inteiramente este post. Para ele, a comida, ainda que venha da terra (bendita educação de raíz que teve...) mas aparece milagrosamente cozinhada no prato. E é directamente pronta a comer. Não há trabalho prévio (para ele), a cozedura é controlada em poucos minutos (para ele) e voilá tudo pronto a comer. E claro, qualquer tipo de trabalho extra em casa é coisa que alguém há-de fazer. Portanto, e apesar de uma saudável educação de base, está quieto quanto a tudo o resto. Cozinhar, nem pensar nisso! Lavar a loiça? Pior um pouco... Limpar a casa, alguém há-de limpar. E este grande amigo está a poucas semanas de se tornar pai, e veremos o que vai trazer em prol da educação do novo rebento que está a caminho.

Mas infelizmente, ele não é único. Tenho a certeza que centenas de pessoas por esse mundo fora são exactamente iguais. Felizmente existirão excepções. Mas não é por isso que deixo de gostar menos deste amigo, e é dele a foto que ilustra este post, e que mostra precisamente dois specimen femininos da respectiva Geração Moranga, de garrafa de Vodka Preto na mão, e ainda nem eram 18 horas de uma bem passada terça feira. E são estes os que vão educar a próxima geração...

(Desculpem-me os mais novos se soei a Velho do Restelo...)

(Agradeço ao Bruno do blog http://spotterblog21.blogspot.com/ pela foto e pela inspiração para escrever o post sobre a geração mais nova...)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Ele há dias...

...em que se acorda assim. E que dá prazer acordar...

sábado, 27 de março de 2010

Estacionamento civilizado ?


Eis aqui dois exemplos de um conhecimento fantástico do código da estrada.


Este exemplo abaixo... Acho que ficamos a perguntar como é que pôs o carro ali? Porque os pinos estão ali para ninguém estacionar mas no entanto como são pinos de borracha o senhor conseguia passar por cima a brincar. Temos de admitir que é de macho transgredir regras lol.



Este segundo exemplo foi em Campo de Ourique em que uma senhora lembrou-se de parar o carro assim no meio do nada. No entanto não se apercebeu que está no meio de um cruzamento. Até estava muito curioso para saber a desculpa:
"Olhe tá a ver, eu tenho de estacionar o carro e ponto final, não gosta azar seu ouviu?"




segunda-feira, 8 de março de 2010

TGV's a baixa/média velocidade...

Depois de uma ausência que me foi imposta por mim mesmo (consciente, portanto) eis que regresso com um tema que hoje andou na baila, à conta do PEC - Plano de Estabilidade e Crescimento apresentado pelo Governo. E hoje, espantem-se, não venho falar das coisas que estão mal, e dos erros que nos fazem rir, mas de coisas sobre as quais tenho algum conhecimento, e sobre as quais estou habilitado a falar. E hoje falo sobre o TGV e o caso português do dito cujo. Quando o Governo de Durão Barroso, com Ferreira Leite na pasta das Finanças assinaram o Convénio Ibérico para as Ligações de Alta Velocidade, estava-se longe de um consenso, principalmente pelo número de linhas / ligações entretanto propostas e que eram 5, configurando uma espécie de Pi deitado. Ferreira Leite foi na altura contra o despesismo que as 5 linhas provocavam, propondo como máximo 3, e configurando assim o que ficou conhecido como o T deitado.
Foi já com o PSD derrotado nas urnas, que o primeiro Governo de José Sócrates se lançou de novo ao projecto, mas desta vez ficando com uma espécie de L, com previsões de ligações lá para o futuro que talvez viessem a cumprir o T ou o Pi...
Ou seja, somatório de erros anos após anos... à direita, ao centro e à esquerda. Sucessivos lobbies para que o bendito comboio parasse nas mais variadas terreolas (perdoem-me pelo adjectivo os habitantes de Coimbra, Aveiro, Santarém, Entroncamento, Viseu, Covilhã, Guarda, Faro... etc etc ). Promessas governamentais e oposicionistas. Assinaturas, Convénios, Congressos,sei lá o que mais.
Ora, com o PEC hoje apresentado, ficou-se a saber que a linha da AV a ser construída entre Lisboa e Vigo, com paragem no Porto foi adiada por um período de 2 anos. (Será que MFL afinal tinha razão há 6 anos atrás quando falava do despesismo?)
Bom, passando aos factos: uma linha de AV entre Lisboa e Porto não faz qualquer sentido. E porquê? Porque Lisboa e Porto distam entre si apenas uns escassos 357 Km (Fonte: ACP). Ora, qualquer comboio de AV que se preste, é assim considerado por conseguir velocidades médias superiores a 300 Km/h em mais de 50% do percurso. Logo e apenas por uma simples razão de aritmética, AV entre Lisboa e Porto não funciona.
Lisboa e Madrid distam cerca de 600 Km, e aí uma linha de AV talvez se torne concorrencial com o avião e apoie na redução dos custos ambientais. E perguntem-se, pasmados, porque é que o autor destas linahs defende uma Linha de AV Lisboa-Madrid e não uma linha de AV Porto-Lisboa-Madrid ou mesmo um directo Porto-Madrid? Porque não faz falta. Nem os espanhóis têm assim tantos interesses comerciais na região norte, nem os empresários nortenhos têm assim tantos negócios em Madrid. Lisboa-Madrid é fundamental? Não. Pelas mesmas razões. Mas poderia ser benéfico? Sim, se considerarmos os ditos factores concorrenciais.
Ou seja, e ainda que seja uma medida extraordinária tomada pelo Governo, em função do PEC 2010-2013, foi benéfico. E foi, porque nos evita uma obra publica gigantesca, faraónica, e que em nada nos viria a beneficiar. (Já agora, Portugal é o país onde o desinvestimento ferroviário mais se nota desde o Estado Novo, quando se massificou a utilização do automóvel). E desta vez, ao contrário do que tem sido habitual nos últimos tempos... esta é uma medida do Governo de José Sócrates que eu aplaudo...

A todos os que quiserem saber mais sobre o TGV, as ligações, etc, desde que eu saiba responder às questões, é só deixarem-nas nos comentários, ou enviarem mail, que tenho todo o gosto em ajudar a esclarecer tudo o que quiserem saber.



(a foto é da Alemanha, onde a AV já é uma realidade desde 1994... num país com dimensões muito superiores ao nosso, e onde o comboio é estimado como meio de transporte, e foi retirada da Net, de forma a ilustrar o artigo)