A propósito do video publicado pela SIC, com o tema da actualidade da Mina de S.Domingos, que podem ver aqui (é quase meia hora de video):
ocorreram-me algumas ideias engraçadas... sendo eu, como me conhecem um admirador confesso de caminhos de ferro, espanta-me como temos vindo sempre a encarar a inauguração do Caminho de Ferro em Portugal como a datada de 1856 entre Lisboa e o Carregado, quando já muitos anos antes uma Companhia Inglesa estabelecia uma via com 17 Km, e que ligava a Mina de S.Domingos ao porto fluvial do Pomarão, sobranceiro ao Guadiana, e de onde se expediam a pirite e seus derivados, inicialmente para o estrangeiro, e nos ultimos tempos para alimentar a CUF no Barreiro.
Foi com o fim do filão e a consequente falência da Companhia que explorava a mina, que a Mina foi abandonada, saqueada e tudo o que poderia existir ainda hoje para o estabelecimento de um museu, logo à partida "condenado" pela sua interioridade, vendido a peso para as sucatas.
Ora, num país sem nenhumas tradições culturais como o nosso, não é de estranhar que isto tenha acontecido, e mesmo ali ao lado de S.Domingos temos as minas de Rio Tinto. Da mesma maneira que S.Domingos, a mina espanhola encerrou o seu filão, mas foi prontamente salvaguardada e é hoje um dos mais interessantes pólos museológicos da provincia de Huelva, como atesta o próprio site do Parque mineiro . Por cá as intenções esbateram-se na burocracia, e na inércia que nos caracteriza... enfim, retratos tristes de um interior que foi esquecido por Lisboa, por Bruxelas, por fundos comunitários, por vontades locais, nacionais, investidores e por aí fora... e este é apenas um dos muitos exemplos...
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segunda-feira, 26 de julho de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
O dia 2 - Vila Nova de Milfontes
Depois de um lauto repasto (um belo e grande pequeno almoço) tomado no Reguenguinho com o som dos grilos em fundo, era hora de rumar até Vila Nova de Milfontes.
Ficava para trás o delicioso pão alentejano, a fruta, os doces caseiros, o leite, os queijos e por aí fora (só de me lembrar estou a salivar...) e saíamos da herdade em direcção a Vila Nova de Milfontes.
Se Porto Covo tem o charme de terras perdidas no tempo, Vila Nova de Milfontes... tentou avançar depressa demais e perdeu-se no turismo. Não se encontra um real traçado de ruas, o que pode haver de marcos históricos perdeu-se, sobrando apenas um ou dois imóveis de interesse, e claro, uma praia a perder de vista, sobranceira ao Rio Mira.
Depois de alguma caminhada por Milfontes, de um café tomado ao lado de um "Centro Comercial" (ah, nostalgia de aldeias...) e de uma corridinha ao supermercado, eis-nos de
O restaurante tem a fachada típica de uma casa de aldeia, mas o seu interior consegue ser ao mesmo tempo requintado e informal. Aqui foi onde comemos uma "massinha de robalo" recomendada, que estava realmente excelente. Não vou deixar aqui uma foto do tacho, para que os que quiserem ir descobrir o possam fazer sem problemas... claro que para mim a refeição terminou com uma Sericaia de lamber os beiços, juntamente com a ameixa de Elvas caramelizada... Depois do almoço, mais um pequeno passeio a pé até ao carro e daí, rumo ao Cercal e de regresso à Herdade, para um passeio de Segway até à Barragem de Campilhas. Para uma primeira vez em cima do dito aparelho, até nem correu mal e para experiência foi engraçado... especialmente o facto de ser todo o terreno e isso permitir o passeio tanto pelos caminhos da herdade como por estrada. Depois, rumo à piscina e de lá a umas excelentes omeletes para o jantar, seguido do tradicional repouso alentejano... e rumo ao terceiro dia deste relato...
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Vergonha Nacional...
A reportagem especial de ontem à noite na SIC, dedicada aos comboios de Via Estreita foi apenas uma pequenina mostra do quanto nós nos temos preocupado nos ultimos anos...
Sucessivos governos de direita e de esquerda, maioritários e minoritários, limitaram-se a assobiar para o ar e fazer vista grossa perante as reclamações dos cidadãos, autarcas e entusiastas, adiando decisões e errando em cima de erros.
Corria o inicio da década de 90 e o governo então liderado pelo prof.Aníbal Cavaco Silva, abria o caminho ao encerramento de cerca de 500 Km de Via Estreita um pouco por todo o país. Com a conivência e conveniência para a própria CP, que assim se livrava de um pouco do seu passivo, as linhas de Via Estreita morreriam.
Por um lado a Linha do Vouga, que abandonava Viseu, facto aplaudido pelo seu Presidente da Câmara a quem lhe prometia "tiramos o comboio, mas oferecemos uma auto-estrada". Morreu a Linha do Vouga, nasceram IP3 e IP5.
Bragança ficava amputada do caminho de ferro, ganharia anos mais tarde o IP4.
Outros lados, simplesmente... morreram. Foi o caso de Chaves, Mirandela (que ainda ressuscitaria com o Metro), das linhas do Sabor...
Resistiram o Tua e parte do Corgo. E hoje em dia quando se fala do Tua, é por causa dos acidentes que se devem unicamente a anos de incúria e de falta de investimento. Mesmo esta linha, está agora em risco de encerrar com a construção de uma barragem (a tal, que devia ter sido construída no Côa, mas não foi construída porque apareceram umas gravuras rupestres...)
Vinte anos depois nunca se investiu, ou investiu-se muito pouco. O Governo de António Guterres reforçou a rede de estradas... e enterrou o que faltava enterrar de linhas de via estreita.
A reportagem de ontem mostra a comparação com as linhas Espanholas de Via Estreita, e por isso, nem vou falar delas. Mas podia falar de linhas de Via Estreita noutros pontos do mundo: Suiça, Alemanha, Estados Unidos, Itália....
Fica a reflexão, para um país como o nosso, envelhecido, empobrecido e embrutecido. E um país com uma das maiores zonas costeiras, e com um enorme potencial turístico.
Para os que quiserem observar mais 15 minutos de reportagem, fica o video da reportagem da SIC:
Sucessivos governos de direita e de esquerda, maioritários e minoritários, limitaram-se a assobiar para o ar e fazer vista grossa perante as reclamações dos cidadãos, autarcas e entusiastas, adiando decisões e errando em cima de erros.
Corria o inicio da década de 90 e o governo então liderado pelo prof.Aníbal Cavaco Silva, abria o caminho ao encerramento de cerca de 500 Km de Via Estreita um pouco por todo o país. Com a conivência e conveniência para a própria CP, que assim se livrava de um pouco do seu passivo, as linhas de Via Estreita morreriam.
Por um lado a Linha do Vouga, que abandonava Viseu, facto aplaudido pelo seu Presidente da Câmara a quem lhe prometia "tiramos o comboio, mas oferecemos uma auto-estrada". Morreu a Linha do Vouga, nasceram IP3 e IP5.
Bragança ficava amputada do caminho de ferro, ganharia anos mais tarde o IP4.
Outros lados, simplesmente... morreram. Foi o caso de Chaves, Mirandela (que ainda ressuscitaria com o Metro), das linhas do Sabor...
Resistiram o Tua e parte do Corgo. E hoje em dia quando se fala do Tua, é por causa dos acidentes que se devem unicamente a anos de incúria e de falta de investimento. Mesmo esta linha, está agora em risco de encerrar com a construção de uma barragem (a tal, que devia ter sido construída no Côa, mas não foi construída porque apareceram umas gravuras rupestres...)
Vinte anos depois nunca se investiu, ou investiu-se muito pouco. O Governo de António Guterres reforçou a rede de estradas... e enterrou o que faltava enterrar de linhas de via estreita.
A reportagem de ontem mostra a comparação com as linhas Espanholas de Via Estreita, e por isso, nem vou falar delas. Mas podia falar de linhas de Via Estreita noutros pontos do mundo: Suiça, Alemanha, Estados Unidos, Itália....
Fica a reflexão, para um país como o nosso, envelhecido, empobrecido e embrutecido. E um país com uma das maiores zonas costeiras, e com um enorme potencial turístico.
Para os que quiserem observar mais 15 minutos de reportagem, fica o video da reportagem da SIC: